1. A vitória com apenas uma marcha (Brasil, 1991)
Talvez o feito mais heroico da carreira. Em Interlagos, liderando a prova e prestes a realizar o sonho de vencer no Brasil, o câmbio da McLaren começou a falhar. Primeiro perdeu a quarta marcha, depois a terceira e a quinta. Nas últimas voltas, Senna pilotou apenas com a 6ª marcha. Para o carro não "morrer" nas curvas lentas (como o Bico de Pato e o S do Senna), ele tinha que manter o giro altíssimo e fazer um esforço físico brutal no volante. Ele venceu, mas o esforço foi tão grande que desmaiou no carro, teve espasmos musculares e mal conseguia levantar o troféu no pódio. Foi a vitória da alma sobre a máquina.
2. A "Volta dos Deuses" (Donington Park, 1993)
O GP da Europa de 1993 começou com chuva. Senna largou em 4º, caiu para 5º na primeira curva. O que aconteceu nos segundos seguintes entrou para a história como a melhor primeira volta de todos os tempos. Com uma McLaren inferior às Williams (que eram de "outro planeta" tecnicamente), Senna ultrapassou Schumacher, Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost em menos de uma volta, debaixo de chuva. Ele assumiu a ponta antes de completar o primeiro giro e venceu a corrida colocando uma volta de vantagem em quase todo mundo (só o 2º colocado, Damon Hill, terminou na mesma volta, mas mais de 1 minuto atrás).
3. O dia em que ele salvou a vida de um rival (Spa, 1992)
Durante os treinos na Bélgica, o piloto Erik Comas bateu violentamente sua Ligier. O carro ficou atravessado na pista, com o motor ligado e vazando combustível — um risco iminente de explosão. Enquanto outros pilotos passavam devagar, Senna parou sua McLaren no meio da pista, soltou o cinto e correu em direção ao carro de Comas, arriscando a própria vida com carros vindo em alta velocidade. Ele desligou a ignição do carro do francês e segurou sua cabeça até o socorro chegar. Comas diz até hoje: "Ayrton salvou minha vida naquele dia".
4. Ajudando a criar o "Honda NSX"
A Honda fornecia motores para a McLaren e estava desenvolvendo seu supercarro, o NSX, para brigar com a Ferrari. Eles chamaram Senna para testar o protótipo no circuito de Suzuka. A engenharia japonesa achava o carro perfeito. Senna deu uma volta, desceu e disse: "O carro é bom, mas o chassi é muito flexível. Falta rigidez." A Honda voltou para a prancheta e aumentou a rigidez do chassi em 50%. O resultado foi um dos carros esportivos mais equilibrados e elogiados da história, que virou lenda automotiva graças ao "toque" de Senna.
5. A experiência "fora do corpo" em Mônaco (1988)
No treino de classificação em Mônaco, Senna estava voando. Ele já tinha a pole position garantida, mas continuava baixando o tempo, volta após volta, colocando quase 1,5 segundo sobre seu companheiro, Alain Prost (uma eternidade na F1). Anos depois, Senna revelou que entrou em um estado de transe: "Eu não estava mais dirigindo o carro conscientemente. Eu estava em uma dimensão diferente. O circuito era um túnel e eu apenas ia, ia e ia." Ele só parou quando "acordou" do transe e se assustou com o próprio limite, voltando lentamente para os boxes.